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O projeto editorial

Documento de referência de política editorial da Oficina de Informações, apresentado em 18 de julho de 1997 durante reunião na qual se elegeu a Comissão Coordenadora do projeto. 

Este documento está aberto à discussão entre os cotistas.

I - Características básicas do projeto

1. Nome: Oficina de Informações, uma organização a serviço da popularização do conhecimento;

2. Um empreendimento nacional de jornalistas, intelectuais, propagandistas e outros trabalhadores da imprensa, capaz de acompanhar e desvendar as características básicas - sociais, políticas, econômicas e culturais - do processo de globalização no qual o Brasil está inserido;

3. Estruturado em torno de um núcleo profissional mínimo mas apoiado em métodos avançados de trabalho coletivo e por recursos de informática e telecomunicação que viabilizem a participação de grande número de colaboradores;

4. Que produza um site na Internet, aberto a assinantes e ao público em geral, com os principais resultados do trabalho de acompanhamento dos fatos e idéias do dia-a-dia, sendo um deles uma reportagem ou artigo mensal de destaque, para ser divulgado e vendido também em forma impressa, nos locais de trabalho e pontos tradicionais de distribuição de jornais e revistas;

5. Que se sustente a médio prazo com a venda de assinaturas do site da Internet e dos textos impressos mensais; e, a curto prazo, com contribuições dos sócios;

6. Que tenha alcance nacional: que se lance com um evento cultural com participação de jornalistas, artistas, políticos e personalidades nacionais no segundo semestre de 1997;

7. Que desenvolva o projeto básico do site da Internet e das edições mensais a partir de um núcleo profissional mínimo de jornalistas, propagandistas e pequena equipe administrativa e de alguns editores contribuintes em trabalho voluntário. Essa equipe faria um acompanhamento dos fatos e das idéias do dia-a-dia, a ser entregue de segunda a sexta-feira por meios eletrônicos aos primeiros sócios e colaboradores e, com outras colaborações, criaria um site inicial para desenvolvimento do projeto;

8. Que se apóie numa organização democrática avançada, assegurada pela escolha da equipe profissional e dos editores contribuintes e pela participação ativa dos outros sócios e colaboradores, que comentariam e corrigiriam o trabalho diário e discutiriam a pauta e a produção mensal de artigos e reportagens;

9. Que tenha como objetivo a elevação do padrão de vida material e cultural dos trabalhadores.

II - As razões do projeto

1 - Por que uma imprensa popular? Quem precisa de mais informação? No mundo de hoje, teoricamente, já circula todo tipo de notícia. Na realidade, quando se trata da questão crucial de saber para onde caminha a humanidade e que rumo um país deve tomar para chegar à modernidade, repetem-se, no geral, apenas três idéias básicas:

• Vivemos a era de uma Revolução Tecnológica, com a informática, bioengenharia, telemática, robótica. Essa Revolução alterou os métodos produtivos, eliminou o trabalho extenuante, repetitivo. E criou novas relações de produção: acabou com a exploração, transformou patrões e trabalhadores em parceiros.

• Esse processo gerou uma riqueza fantástica - algo como 10 trilhões de dólares - que circulam pelos mercados financeiros do mundo. Essa riqueza é o passaporte para o Terceiro Mundo atingir os benefícios da modernidade já presentes no Primeiro Mundo.

• Para atrair esses capitais, um país pobre tem uma tarefa número um: cuidar da estabilidade monetária. Em particular, tem de eliminar o déficit público - causa básica da inflação - através de amplas reformas e da venda de estatais. Deve dar garantias para que a riqueza monetária possa entrar - e, tão ou mais importante - possa sair do país sem perdas decorrentes de mudanças bruscas em políticas locais.

2 - Uma das principais razões para se retomar a luta por uma imprensa popular dedicada à apresentação e análise dos grandes fatos e idéias correntes é que a ladainha da modernidade não explica o mundo atual. Ao contrário: dificulta a sua compreensão. A idéia de que a tecnologia e o dinheiro vão salvar o mundo ignora as enormes tensões sociais, econômicas e políticas criadas pelo desenvolvimento comandado cada vez mais por um punhado de empresas gigantes. Minimiza os dramáticos efeitos da concentração de riqueza e aumento no desemprego gerados pela atual onda de modernização tecnológica e administrativa. E vende uma ilusão: no último quarto de século, a despeito dos extraordinários avanços científicos e tecnológicos, e de uma movimentação sem precedentes de moedas, ações, títulos e registros eletrônicos dos chamados mercados futuros, os índices de crescimento da produtividade caíram dramaticamente em todos os grandes países capitalistas.

3 - O que fazer para observar e apresentar, de um modo mais justo em relação aos interesses da grande massa da população, o processo em curso no mundo de hoje? Ninguém vê o mundo do céu, como um santo; nenhuma informação é soprada de um Olimpo, por deuses acima do bem e do mal. Para ver o mundo, como qualquer outra, a imprensa popular parte de seus conhecimentos e interesses. A nosso ver, três idéias diferentes ajudam a compreender melhor o dia-a-dia do mundo dominado pela febre da globalização:

• A política é comandada pelos americanos, com ajuda de seus aliados nos governos dos principais países capitalistas ricos - especialmente a Alemanha e o Japão - e a colaboração de ajudantes de menor expressão no governo de países capitalistas em desenvolvimento, como o Brasil . A montagem da situação atual tem mais ou menos os seguintes pontos cruciais. Em meados dos anos 70, os EUA, que haviam se transformado nos campeões da luta contra o socialismo no pós-guerra, pareciam condenados: foram derrotados no Vietnã e fracassaram na tentativa de intervir na Revolução iraniana. Os socialistas, no entanto, não estavam em condições de substituir a hegemonia americana. Já em meados dos anos 50, tinham se tornado hegemônicas na URSS as posições que retiraram do PCUS sua condição de centro de irradiação de idéias revolucionárias e transformaram aquele país numa potência militar também expansionista e intervencionista que se debatia em problemas econômicos e administrativos.

• Na China, já em 1974, por sugestão de Mao Tsetung, Deng Tsiaoping, um dos principais líderes revolucionários, deposto pela Revolução Cultural, fora reinstalado na alta administração do país, como vice-primeiro ministro. O Partido Comunista Chinês se preparava para decretar o fracasso do movimento que visara prevenir os problemas surgidos na construção do socialismo e que encantara multidões na China e em todo mundo. Nesse quadro de derrotas socialistas, as idéias neoliberais, que haviam sido cultivadas localmente – no Chile, na Inglaterra – começam a ganhar corpo internacionalmente com o monetarismo de Milton Friedman e seu patrono global, o governo de Ronald Reagan. Nos anos 80, depois de impor ao mundo uma recessão monumental - decidida para resolver seus problemas inflacionários internos - os americanos se recuperam. No início dos anos 90, desmorona politicamente a União Soviética e, a seguir, o conjunto de países que orbitavam sob sua influência.

• Os EUA tornam-se, então, a única superpotência ativa do planeta. E mesmo governos reformistas do Terceiro Mundo, que se apoiavam na existência da URSS para ter mais campo de manobra internacional, passam a se enquadrar nas diretrizes americanas. 1991 é o ano da consagração da retomada da hegemonia americana: eles comandam a intervenção das grandes nações capitalistas no Iraque e mesmo a China, que tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, não se opôs à intervenção. Por essa época, mesmo países como o Brasil, onde a burguesia e os latifundiários no poder chegaram a ensaiar uma rebelião contra o império americano, aliam-se com a política ditada pelos EUA.

• A atual situação beneficia as oligarquias financeiras de inúmeros países; é comandada por Estados empenhados na proteção e garantia da livre circulação do dinheiro global dos monopólios; cerceia e reduz os direitos dos trabalhadores. Os trilhões que giram pelo mundo atualmente representam, basicamente, a dívida estatal construída para salvar os monopólios capitalistas ao longo da montagem americana para a solução financeira da crise de meados dos anos 70. A crise daqueles anos deve ser comparada à de 1929: refletia desequilíbrios enormes no sistema. Só que, da vez passada, submetida a enormes tensões políticas, as oligarquias financeiras do mundo deixaram o sistema quebrar. A solução desta vez foi diferente. Os americanos elevaram os juros internacionais a níveis nunca vistos, entre o final dos anos 70 e início dos anos 80. Para isso, emitiram uma dívida histórica: ela foi de 0,424 trilhões de dólares em 31 de dezembro de 1971 para 5, 247 trilhões de dólares em 31 de dezembro do ano passado. Estes papéis, mais 3 trilhões das dívidas externas do Terceiro Mundo securitizadas com base nos títulos dos EUA são hoje basicamente, o dinheiro internacional acelerado.

• A hegemonia americana atual, portanto, está construída sobre uma nova realidade econômica, diferente da que se formou durante a expansão no pós-guerra, quando os Estados Unidos desenvolveram o mais amplo e diversificado mercado de consumo de massas do planeta. De meados dos anos 70 para cá, o desenvolvimento é cada vez mais lento, instável e contraditório. Seu dinamismo vem da liberdade e da velocidade de circulação do atual dinheiro internacional. Mas a garantia do dinheiro - em última instância a proteção dos monopólios que detém a massa de papéis - torna-se a tarefa estatal número um. Quando o crescimento supera 2,5% ao ano nos países capitalistas centrais, os salários começam a subir e o desemprego diminui, surgem pressões inflacionárias que ameaçam corroer o carrossel do dinheiro. O Estado então contém seus investimentos sociais, eleva os juros, emitindo títulos públicos. Passa, dessa forma, a amparar os monopólios capitalistas detentores da massa desses papéis. E freia a expansão da economia, contendo, basicamente, as despesas e os investimentos sociais.

4 - A rigor, o esforço para impor o projeto de globalização dependente pró-americana visa criar entre os trabalhadores um espírito de conformismo com as brutais desigualdades que estão sendo promovidas pela situação política atual. Tenta absolutizar os fracassos e paralisar a histórica luta dos povos por independência e igualdade. Vende a idéia de que o capitalismo, sistema baseado essencialmente na exploração do trabalho assalariado e na acumulação de desigualdades entre nações e classes sociais, está prestes a se transformar no seu contrário: um gigantesco e fraternal hipermercado, onde todos seriam, igualmente, consumidores. Essa ilusão não tem qualquer apoio histórico. O sistema capitalista viveu até hoje em crises regulares de superprodução, quebradeira generalizada e desemprego. Crises menores que se repetem a cada cinco ou sete anos. E crises maiores, estruturais, como as de 1873 e de 1929. Todas essas crises tiveram conseqüências dramáticas. Ainda está viva na memória dos povos a convulsão social que foi de 1929 a 1945, provocada pelas ambições das potências imperialistas e disparada exatamente por um movimento como o atual, de extraordinária aceleração na circulação do dinheiro. A solução monetarista para a crise de meados dos anos 70 tem no seu interior as sementes de dificuldades monumentais, que precisam ser combatidas com decisão por todos os interessados numa verdadeira integração internacional dos povos.

5 - O dinheiro, nas sociedades capitalistas, tem um aspecto duplo e contraditório. Veja-se a situação de hoje. O dinheiro global desregulamentado, acelerado e valorizado como virtude suprema, permite ao capitalismo central promover intenso e evidente processo de pesquisa de novas tecnologias e de reorganização com vistas a superar os problemas que enfrenta. Até no campo da cultura, simbolizada pelo cinema americano e sua extraordinária capacidade de combinar tecnologia e trabalho artístico graças a orçamentos e salários milionários, o dinheiro permite realizações inegáveis. Ao mesmo tempo, no entanto, a garantia desse dinheiro, num mundo ainda dividido em nações e classes sociais exige um xerife. E o xerife do dinheiro global, os EUA, coloca seus interesses nacionais acima de tudo. Em 1994, para enfrentar uma crise no financiamento de seu déficit, elevaram os juros sete vezes ao longo do ano. No final de 94 o México quebrou. No início de 95, o Brasil enfrentou uma crise cambial sem precedentes, quando os investidores internacionais compraram perto de 10 bilhões de dólares do banco central brasileiro preparando-se para sair do país. Para garantir o dinheiro dos investidores globais durante a crise do México, num fim de semana os EUA assaltaram 50 bilhões de dólares de reservas estratégicas dos países ricos. O governo mexicano alterou suas políticas de modo a conter o consumo interno e promover intensamente as exportações, disparando com isso falências, recessão e desemprego. Por sua vez, o Brasil elevou os juros aos níveis mais altos do mundo e endividou-se de tal modo que comprometeu todos os projetos que havia anunciado em seu Plano Plurianual de governo.

6 - Ao contrário dos que acreditam nas virtudes sociais do dinheiro global acelerado, entendemos que cabe aos interessados na verdadeira modernidade retomar o debate histórico sobre a alienação promovida através do dinheiro, sobre as origens reais da riqueza social, sua distribuição e circulação. O dinheiro é uma mercadoria especial. Ele tem o dom de realizar a metamorfose crítica para o sistema em que vivemos: transforma-se em capital, através da exploração da força de trabalho. Hoje, porém, graças ao avanço das idéias monetaristas, procura-se ver o dinheiro de modo diferente, de um lado só. Reconhece-se que o dinheiro tem um papel social evidente: força todo mundo a correr atrás dele e com isso impulsiona o progresso. Mas seria neutro: seu valor social decorreria de relações entre as coisas, não teria nada a ver com os conflitos da sociedade. Em relação ao processo de globalização em curso têm-se essa mesma visão esquizofrênica: imagina-se que o dinheiro acelerado que está desmontando barreiras nacionais e integrando os mercados é o responsável pelo progresso; e acha-se, ao mesmo tempo, que o dinheiro não tem nada a ver com o mal-estar relacionado com esse mesmo processo - o crescimento cada vez mais lento das economias capitalistas, o desemprego e a marginalização social crescentes.

7 - Para os teóricos dessa forma de ver o mundo, é como se tivesse ocorrido uma mudança na própria natureza do modo de produção capitalista. Ele não seria mais, na essência, um regime de conflito, que oporia classes sociais antagônicas: patrões com dinheiro e poder para explorar o trabalho assalariado, e proletários, obrigados a vender sua força de trabalho no mercado para sobreviver e, assim, criar mais valor para os patrões capitalistas. Hoje, patrões e trabalhadores seriam parceiros. E a criação do valor, da mais valia, não seria resultado da exploração capitalista da força de trabalho. Este valor, agora, supostamente, estaria sendo criado de modo neutro: por computadores, bactérias e microorganismos produzidos pela biotecnologia. E o capitalismo teria realizado o milagre de combinar progresso e paz: estaria produzindo riqueza e acumulando - ampliando o estoque líquido de riqueza existente - sem a necessidade de explorar a classe trabalhadora.

8 - O erro desse modo de pensar pode ser demonstrado por absurdo: suponhamos que ele fosse verdadeiro; que pudesse existir uma sociedade capitalista que dispensasse a exploração do trabalho - na qual o valor das mercadorias fosse criado por robôs. Sendo capitalista, uma sociedade desse tipo teria uma minoria de proprietários dos meios de produção e uma imensa maioria de proletários. Mas teria também uma contradição insolúvel. Os trabalhadores não teriam como obter o dinheiro necessário para adquirir os bens produzidos pelos capitalistas e suas máquinas maravilhosas. Porque a única mercadoria que tinham para vender - sua força de trabalho - teria se tornado dispensável para a criação de valor; inútil.

9 - Dinheiro não se transforma em capital sem que se complete esse ciclo que inclui a exploração do trabalho assalariado, peça crucial e contraditória do processo de criação de riqueza na sociedade capitalista. Um dos sinais claros da crise atual, portanto, está no crescimento da produção e do emprego nas economias capitalistas líderes. Década após década, o crescimento vem caindo e a marginalização dos trabalhadores aumentando. É claro, no entanto, que qualquer oposição a esse sistema de injustiças sociais não se pode fazer em abstrato. Um governo popular saberia que o principal aspecto de um orçamento nacional que vise melhorar as condições de vida de um povo pobre como o brasileiro seria a destinação a dar à riqueza nova criada pelo trabalho. A discussão do orçamento popular não seria uma repartição de migalhas. Muitos trabalhadores ainda acreditam que um bom governo deve cuidar que hajam "salários justos". A grande massa de riqueza criada no país, no entanto, não vai para os salários, mas sim para a ampliação da capacidade de produção instalada no país, que é voltada para o mercado restrito existente. A grande massa é pobre e está fora do mercado de bens mais caros. Um governo dos trabalhadores, cujo orçamento fosse baseado em "salários justos", que distribuísse dinheiro para os pobres, com certeza não permitiria que nenhum deles comprasse esses bens. Não se altera a capacidade de produção do país imprimindo papel-moeda. Por esse motivo, acreditamos que uma das tarefas centrais de um movimento de popularização da informação deve voltar-se para a educação ampla dos trabalhadores, que criam a riqueza e precisam saber como aplicá-la quando assumirem o governo do país.

10 - Por esse motivo, além de promover intenso esforço de desmistificação das idéias neoliberais, o projeto da Oficina de Informações deve se empenhar para incentivar a pesquisa e o debate dos problemas enfrentados nas experiências socialistas. O primeiro volume do Capital, a obra genial de Marx, veio ao mundo em 1867, praticamente ao mesmo tempo em que eram lançados os fundamentos da doutrina oposta: a teoria da utilidade marginal, que atribuía o valor a uma relação subjetiva entre o comprador e a mercadoria. A concepção subjetiva do valor ficou no limbo teórico por longos anos, atropelada pela história. Em 1873 o sistema capitalista enfrentou uma enorme crise. Em 1917, a Revolução Bolchevique colocou na direção da Rússia uma das correntes do movimento socialista que mais se apoiou nas teorias de Marx. A nova grande crise do sistema capitalista em 1929 fez o marginalismo ser substituído pelo keynesianismo e o Estado do Bem-Estar Social. Hoje no entanto, o liberalismo ressurge. Para o mundo ir para a frente, se diz, é preciso liberdade individual e um Estado que cuide da estabilidade da moeda, nada mais. Os interessados em elevar o nível de cultura e de bem estar material dos trabalhadores sabem que isso é uma mentira grosseira. Não podem, no entanto, ignorar as experiências históricas da construção socialista que mostram que dinheiro e mercado acompanharão os esforços para a construção de uma sociedade mais justa ainda por muito tempo.

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