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Retrato do Brasil - Edição n° 16
CRISE E EXPIAÇÃO
CRISE E EXPIAÇÃO

A turbulência financeira que assola o mundo capitalista é gigantesca. E tende a ter dramáticas repercussões. Para falar da crise, começamos com o papa e uma das bíblias do jornalismo conservador | Raimundo Rodrigues Pereira

The Economist, semanário inglês fundado há 165 anos para defender o livre comércio e a livre iniciativa, disse, em uma de suas últimas edições, que o capitalismo foi posto em discussão e a liberdade econômica está sob ataque. A revista fazia referência à pesada intervenção dos governos dos EUA e dos principais países europeus na maioria dos seus grandes bancos, seguindo um modelo para a salvação do sistema levantado à última hora pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. “Nesta semana”, disse a revista no seu editorial principal da edição de 18 de outubro, “a Grã-Bretanha, berço das modernas privatizações, nacionalizou a maior parte da sua indústria bancária; ao mesmo tempo, no meio de falações sobre o fim da era Thatcher-Reagan, o governo americano prometeu investir 250 bilhões de dólares em seus bancos. Outros governos voltaram a regular seus sistemas financeiros. Os asiáticos dizem que o Ocidente parece estar se voltando para o modelo deles, mais dirigista. ‘Os professores estão tendo alguns problemas’, disse um dirigente chinês recentemente. O intervencionismo está a toda: ‘A auto-regulação está liquidada’, diz o francês Nicolas Sarkozy. ‘O laissez-faire está liquidado’”. “Esta revista espera profundamente que isso não ocorra”, conclui o editorial.
O papa Bento XVI, provavelmente impressionado com a destruição de riqueza aparente provocada pela queda dos valores das empresas nas bolsas em escala global – estimada, pela Bolsa de Zurique, em 27 trilhões de dólares, entre 1º de janeiro e 16 de outubro deste ano – disse que a crise financeira mostra que o dinheiro é uma ilusão. Somente a palavra de Deus “é sólida”, disse ele, falando de improviso, no Vaticano, para uma assembléia de bispos. A palavra de Deus “é a verdadeira realidade sobre a qual se deve fundar nossa própria vida”. “Agora estamos vendo, com o afundamento dos grandes bancos, que esse dinheiro desaparece, que não é nada; trata-se de realidades de segunda ordem”, disse Bento XVI.

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