OS PROBLEMAS DE BARACK Obama não são poucos. O desemprego em seu país chegou a 10%, o dobro em relação a dois anos atrás. A renda média das famílias americanas caiu. O número de pobres e dos que passam fome aumentou. Ao apresentar seu orçamento para 2011, previu um déficit de 1,6 trilhão de dólares, mais que 10% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, superior ao previsto para este ano, em vista da necessidade de o governo gastar mais para combater o desemprego e a pobreza.
Em consequência dos enormes gastos para evitar que a economia mergulhasse no abismo, após a quebradeira dos bancos deflagrada em setembro de 2008, a dívida pública americana total está em 12,36 trilhões de dólares. A parte da dívida em mercado — que se obtém descontando da dívida total cerca de 4 trilhões de dólares referentes aos benefícios futuros devidos aos servidores federais — estava em 40% do PIB em 2008. Pulou para 53% no ano passado. E, nas previsões oficiais, irá a 77% do PIB em 2020, antes de começar a cair.
Na primeira semana de fevereiro, a Moody’s, uma agência de avaliação de risco, ameaçou rebaixar a classificação dos títulos do Tesouro americano. Para que essa ameaça não se concretize, o país precisa economizar para pagar o que deve. Da dívida líquida em mercado, cerca de 4 trilhões de dólares são devidos a estrangeiros. E cerca de metade disso a duas potências asiáticas: o Japão, que tem a segunda maior economia global; e a China, com ambição de suplantar os EUA, econômica e politicamente, em não muito tempo.
No campo político, a situação de Obama também já foi melhor. Uma pesquisa de opinião pública citada pela revista britânica The Economist, do início de janeiro, diz que a aprovação de seu governo caiu de mais de 70% no começo de seu mandato para menos de 50%, um ano depois. E que, se houvesse eleições presidenciais nos EUA, agora, um candidato genérico do Partido Republicano, de oposição a ele, ganharia de um candidato genérico de seu partido, o Democrata, por 44% a 41%.Outra pesquisa: quem se beneficiou mais das ações do governo contra a crise? As respostas, divulgadas pelo semanário britânico em fins de janeiro: 40% achavam que haviam sido os grandes bancos comerciais e de investimentos; 20%, as grandes corporações; 18%, os mais ricos; menos de 10%, a classe média; e, ainda menos, as pessoas de baixa renda.
Nesse mar de problemas, num gesto com certeza estudado politicamente, Obama contra-atacou. Em 13 de dezembro, dois dias depois que a Câmara dos Representantes aprovou um projeto de lei que institui nova regulamentação da atividade bancária, deu uma declaração agressiva à imprensa: "Eu não disputei a presidência para ajudar um bando de gatos gordos banqueiros de Wall Street" ("I did not run for Office to be helping out a bunch of fat cat bankers in Wall Street").
Em 14 de janeiro, foi adiante: anunciou uma "taxa de responsabilidade pela crise financeira" (Financial Crisis Responsability Fee), de 0,15% anual sobre o patrimônio líquido dos bancos e das seguradoras acima de 50 bilhões de dólares, a serem cobrados por dez anos, a fim de cobrir 117 bilhões de dólares de prejuízos do Tesouro americano com o "Programa de Alívio dos Ativos Problemáticos" (Troubled Assets Relief Program), por meio do qual o governo americano comprou deles os chamados "créditos podres".